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O tempo é implacável, bem como dizem.
Eu sou prova viva de que a vida passa despercebida quando você deixa tudo fluir. Acho que mesmo eu, sendo assim determinada e obestinada em minhas decisões, caí no próprio jogo do destino automático.
O tempo é mandatório e irreversível.
Por vezes me pergunto se fiz as escolhas certas, se devo estar onde estou e, em outros momentos, se eu mesma vi o caminho que trilhei até aqui. Penso eu, tão dona de mim, que ativei o tal piloto e segui a cartilha. Mas será que persegui os passos certos?
O tempo é o tempero de um caldeirão imenso de sentimentos no qual nunca seremos os próprios cozinheiros.
Sorte ou luta, conquistei coisas que almejei tempos atrás, mas sinto que abri mão de parte de quem eu sou - se é que eu sei de fato quem eu sou. Não sei, sinto que, no fundo, eu poderia ser outra pessoa. Outra vida, outros personagens, outros dramas. E então, eu me pergunto: será que eu teria perseguido os passos certos?
O tempo continua passando e estamos aqui, vivendo. Ou só respirando?
O tempo é a chave das nossas vidas, o cronômetro que decide quando tudo começa e quando tudo acaba. E eu quero ter feito valer a pena cada suspiro, cada vento no rosto, cada frio na barriga. Cada decisão.
Como recomendam, "tempo ao tempo..."
Jaqueline Nunes

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